quinta-feira, 12 de junho de 2008

Continuação!

Não, esta não é a continuação do último texto deste blog. Mesmo porque, já faz algum tempo que o escrevi e a essa altura já teria perdido o fio da meada. “Continuação!” é simplesmente uma expressão muito utilizada aqui em Portugal para designar “desejos de bom prosseguimento de seja lá o que tu estás a fazer”. Não, também não tirei essa definição de algum dicionário nem glossário, fui eu mesma que acabei de encontrar uma forma de descrever o que é a tal da “Continuação!” para os portugueses.
É claro que, no início, fiquei ligeiramente confusa. Quando disseram-me “continuação” pela primeira vez estive à espera que completassem a frase. Como não o fizeram, concluí que a pessoa havia tido uma vontade súbita de dizer uma palavra sem conexão com o que conversávamos e que “calhou” de ser “continuação”. Como depois dessa primeira experiência sucederam-me muitas outras em que, ao despedirem-se, diziam-me “Continuação!”, logo percebi que tratava-se de mais uma peculiaridade da língua portuguesa que não faz parte da nossa “brasileira”. Não a inseri em meu vocabulário pois confesso que à mim ainda soa esquisito… Apesar de que, até considero a expressão útil, já que não encontrei uma similar proferida por nós, brasileiros. Se alguém encontrar, deixe-me informada, por favor. Por enquanto, só me resta dizer-lhes: continuação!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Os tais dos telemóveis

O que chamamos de “celular” no Brasil, aqui é conhecido como “telemóvel”. Os tais dos telemóveis já estão completamente entranhados na cultura dos portugueses, sobretudo dos mais jovens, como já era de se esperar. Mas o que mais me chamou a atenção aqui não foi o fato de utilizarem o telemóvel com muita frequência ou estarem sempre com ele ao pé do ouvido. Na verdade, o telemóvel nem é usado exageradamente para fazer e receber chamadas, mas sim para mandar e receber sms (mensagens de texto).
Os portugueses adquiriram o “vício” da troca de mensagens ininterruptas ao longo do dia (e da noite). Onde quer que estejam, os jovens estão a escrever para amigos, namorados/as, familiares, etc. Seja pelas ruas, na parada de autocarro (lê-se: ponto de ônibus), sentados num café, no meio de uma aula, dentro do trem… Enfim, troca-se mensagens de qualquer lugar, a qualquer momento: até mesmo dentro do cinema assistindo a um filme!
Pergunto-me de onde surgiu esse hábito, se a “culpa” é dos usuários ou das operadores de telefone. Digo isso porque um dos grandes incentivos para essa troca de mensagens é o fato de as operadoras estarem sempre oferecendo promoções de envios gratuitos de sms para telemóveis da mesma operadora. Uma delas oferece o envio (quase) ilimitado de mensagens: são 1500 sms gratuitos por semana! A primeira vez que vi essa promoção, logo pensei: por que não dizem simplesmente que os sms são ilimitados, já que duvido que alguém consiga mandar mais de 1500 sms em uma única semana. Pois acreditem: há quem consiga tal feitio e até ultrapasse esse limite! Começo a concordar que faz sentido definirem um limite, nem que seja o de poder enviar uma mensagem a cada 6,7 minutos! (no caso dos 1500/semana)
Outra peculiaridade nesse costume é o fato de que os portugueses já estão tão hábeis em tal prática, que conseguem escrever as mensagens sem nem olhar para o visor do aparelho. Eles fazem isso enquanto estão conversando com você, assistindo televisão, prestando atenção no professor, etc. Muitas vezes sem nem desviarem o olhar e numa rapidez impressionante. Às vezes mal acabo de enviar uma mensagem e segundos depois já recebo a resposta.
O mais engraçado é que a troca de mensagens não é uma simples troca de recados. Longas conversas se dão através dos sms e até questões importantes são tratadas. Outra curiosidade é que os sms também substituíram os bilhetinhos nas salas de aula: ao invés de papel e caneta, o que os estudantes usam agora são os telemóveis. E mesmo fora da sala de aula, até quando estão fisicamente muito perto da outra pessoa, é comum mandar-lhe mensagens ao invés de deslocar-se para dizer o que precisa. Recebo corriqueiramente sms das meninas que moram comigo, em momentos em que estamos todas em casa, dizendo coisas do tipo: “Queres um chá?” ou “Vais almoçar a que horas?”. Apesar de nossos quartos estarem a alguns passos de distância, tenho que admitir que às vezes também recorro aos sms para responder-lhes.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A sinceridade

Ainda no lidar com o comércio, uma outra qualidade que aprecio nos portugueses é a tal da sinceridade. Aqui não há muito daquela de o vendedor insistir para você levar um produto, “custe o que custar”. Além de ser bem mais agradável ir às compras sem ninguém para “encher o saco”, ainda podemos contar com a opinião sincera dos vendedores.
Mais uma no supermercado (assim vou acabar passando a impressão de que minha vida em Portugal é só fazer compras!). Na seção de frutas, a cliente pergunta à funcionária se as laranjas que lá estão à venda estão boas. Pensei: “Claro que ela vai dizer que sim, né! Ela trabalha aqui.”. Contrariando minhas expectativas, a funcionária responde à senhora: “Não estão não. Levei duas pra casa no sábado: uma delas estava seca, a outra pouco doce.” A cliente não levou as laranjas. E o mais engraçado era que eu já havia comprado das mesmas laranjas e as tinha achado saborosas. Isto é, a funcionária pode simplesmente ter tido o azar de escolher duas laranjas ruins, o que já foi suficiente para ela convencer outras pessoas a não levá-las!
Fui à uma loja de CDs escolher presentes para uns amigos e pedi ao funcionário sugestões de bons artistas portugueses. Ele me mostrou alguns e eu selecionei três deles para dar aos meus amigos. Mostrei ao rapaz, que aprovou a minha escolha. Disse-lhe então que estava em dúvida se também levaria um outro CD para mim, além dos que eu já estava levando para os meus amigos. Ele então aconselhou-me a não levar, pois já estava gastando com os presentes, e por isso deveria deixar para comprar o quarto CD numa outra ocasião, já que não era nada “urgente”. Pois é, nunca imaginei que um vendedor um dia me convenceria a fazer economias, ao invés de gastar. Em Portugal isso acontece.
Estava pesquisando preços de mochilas, e encontrei uma que parecia ser boa, e estava em promoção. Perguntei então à vendedora se era de boa qualidade. Ela disse: “Não é não, por isso é que colocamos em promoção.” Já costumada com essa “sinceridade típica”, perguntei então qual ela me aconselharia a levar. Ela respondeu-me que a mochila que ela realmente considera boa estava em falta na loja, por isso eu deveria esperar e voltar na semana seguinte. Isto é, ela preferiu que eu fosse embora sem consumir nada, ao invés de me empurrar um produto que ela mesma não compraria. Admirável!
Acho que já chega de contar casos ocorridos comércio. Para os próximos dias, prometo escolher temas menos “capitalistas”!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A confiança

Há uma característica dos portugueses que aprecio muito e acho, inclusive, que deveria servir-nos de exemplo. Sinto que existe aqui uma “cultura de confiança” entre as pessoas. Os portugueses tendem primeiramente a acreditar (ao invés de “desconfiar”) no que lhes dizem. Isso é fácil perceber na relação cliente-comerciante. Aquela máxima “o cliente tem sempre razão” parece funcionar bem aqui.
Comprei um óculos de natação que, após três semanas de uso, arrebentou. Voltei então à loja para trocá-lo, já imaginando que teria a maior dor de cabeça para conseguir um óculos novo. Estava enganada. O responsável pela loja não só não questionou por que ou como o óculos estragou, como disse que eu poderia escolher qualquer outro modelo para substituí-lo. Optei então por um modelo um pouco mais barato do que o que eu havia comprado inicialmente. Levei não só o óculos novo para casa, como também a diferença de valor de volta.
Numa outra vez, fiz compras em um supermercado e, ao chegar em casa e conferir a nota, percebi que haviam registrado, por engano, duas vezes um mesmo vinho. No dia seguinte, voltei ao estabelecimento para relatar o ocorrido, mas confesso que não acreditava muito que conseguiria meu dinheiro de volta. Afinal, o que garantiria que eu não havia trazido os dois vinhos pra casa!? Eu não tinha como provar isso, logo, eles não eram obrigados a acreditar em mim. Mas como já disse, aqui costuma-se “acreditar a priori”. Expliquei à funcionária o ocorrido e ela prontamente respondeu-me: “Queres levar um outro vinho ou prefere reaver o dinheiro?” Mais uma vez, sem dores de cabeça!
Um terceiro ocorrido. Dessa vez foi com meu vizinho, mas eu estava presente. Fui com ele ao supermercado (não o mesmo onde comprei o vinho) e antes de começarmos as compras, ele disse-me: “Vamos comigo ao ‘apoio ao cliente’ pois preciso trocar esse gel de cabelo”. Perguntei então qual o problema com o gel e ele explicou-me que estava com uma consistência mais sólida do que a de costume, apesar de estar dentro do prazo de validade. Até aí tudo bem, não fosse o fato de ele já ter usado o gel várias vezes e, pra completar, ainda não ter a nota fiscal nem nada que comprovasse que ele o havia comprado naquele supermercado. Eu achei a situação engraçada e disse-lhe: “Não adianta irmos lá, com certeza não vão trocar!” Mas ele, pelo contrário, não tinha dúvidas de que trocariam sim. E estava certo: sem questionar , a funcionária acompanhou-nos até a sessão onde estava o produto e deu-lhe um gel novo.
Essas situações me fazem pensar no quão facilmente as coisas se resolvem quando as pessoas simplesmente acreditam umas nas outras. Nesse aspecto eu admiro muito os portugueses. Queria eu que no Brasil funcionasse assim!

terça-feira, 15 de abril de 2008

A ironia

Cada vez que viajo, chego mais à conclusão de que o senso de humor é algo particular de cada cultura. É claro que na maior parte das vezes conseguimos rir das mesmas coisas, mas sempre há diferenças sutis, que às vezes causam situações engraçadas.
Como a maior parte dos brasileiros, costumo ser irônica com certa frequência. Mas por aqui (assim como em outros lugares), eu nem sempre sou compreendida como gostaria.
Costumo ir ao supermercado de bicicleta. Na semana passada, quando eu procurava um lugar para prender minha bike, um rapaz, que aparentava ser segurança do estabelecimento, mostrou-me onde eu poderia “estacioná-la” e disse: “Mas tens que prendê-la, pois podem roubá-la”. Para mim, era óbvio que eu colocaria o cadeado. Por isso resolvi brincar com o moço e respondi: “Não vou prender não. Confio em você, sei que vai vigiá-la pra mim!” Ele, além de não entender que tratava-se de uma brincadeira, ainda demonstrou-se preocupado, dizendo que não poderia vigiar minha bicicleta porque tinha “muito o que fazer e não poderia ficar o tempo todo à beira dela”. É claro que fiquei surpresa com a reposta dele e, em vez de explicar logo que eu estava brincando, resolvi insistir com o “gracejo”, dizendo que era para ele vigiar sim, afinal ele era o segurança ! Mas no final prederi deixar claro que estava apenas sendo irônica, para não correr o risco de ele ainda estar lá quando eu voltasse com as compras.
Outro “causo": na natação, o instrutor estava me explicando a forma correta de fazer a braçada no nado de costas e eu estava achando meio complicado, por isso resolvi brincar com ele e disse-lhe: “Não tô gostando desse nado que você inventou não! Trate de inventar outro pois esse não quero mais fazer!” Ele simplesmente começou a me explicar que não foi ele quem inventou as braçadas, que as técnicas que ele me ensinava eram universais e que eu deveria reclamar com quem inventou a natação! Mais uma vez tive que deixar claro que era só uma brincadeira e que eu sabia bem que ele não era o inventor daquela forma de nadar.
O pior é que, depois de um certo tempo aqui, a gente acaba adquirindo o hábito de sempre “explicar a piada”. Aí quando recebemos a visita de amigos brasileiros, nós é que viramos motivo de boas risadas!

terça-feira, 11 de março de 2008

O Padrinho!?

Estava outro dia na seção de DVDs de uma loja quando me deparo com a capa de um filme que me parecia familiar, mas o nome nem tanto: “O padrinho”. Logo percebo que trata-se do nosso conhecido “O poderoso chefão”, que os portugueses fizeram a tradução literal do inglês - “The Godfather”. Achei curioso e notei então que o mesmo acontecia com vários outros filmes. O clássico “Noviça Rebelde” foi traduzido como “Música no Coração”, que é mais próximo do título em inglês “The sound of music”.
Às vezes acontece o contrário: nós fazemos a tradução literal e eles é que inventam moda. O filme “Mais estranho que a ficção”, cujo título original é “Stranger than fiction”, foi traduzido pelos portugueses como “Contando ninguém acredita”. Outro caso é o “Adaptação”, que em inglês é “Adaptation”, e aqui é “Inadaptado”.
Nos casos em que a gente mantém o nome original do filme, os portugueses fazem questão de traduzir. “Grease” aqui é “Brilhantina”; e “Ghost” é “Espírito do amor”.
Muito engraçado eu achei o nosso “Entrando numa fria maior ainda”, que aqui tem o criativo nome “Uns compadres do pior”. Mesmo estando aqui há quatro meses, não entendi a graça desse título! Neste caso, o nome em inglês não tem nada a ver com nenhuma das duas traduções: “Meet the Fockers”.
Há filmes em que as diferenças são sutis, mas curiosas: “Piratas do Caribe” é “Piratas das Caraíbas”; “Sociedade dos Poetas Mortos” é “Clube dos Poetas Mortos”; “Os embalos de sábado à noite” é “Febre de sábado à noite”.
Isso sem contar a famosa série “Lost”, que em Portugal também faz muito sucesso, mas com o nome de “Perdidos”. Faz todo o sentido, mas soa engraçado a princípio.

domingo, 9 de março de 2008

Um pouco de música

Na sexta-feira assisti pela segunda vez à apresentação de um grupo de música medieval chamado “Sons da Suévia”. Gostei muito! São cinco músicos aqui de Braga que tocam a gaita-de-foles e diversos instrumentos de percussão. Achei lindíssimo o som da gaita-de-foles! Eles usavam trajes medievais, o que tornou a apresentação ainda mais interessante.

Coloquei no youtube um vídeo que fiz na primeira vez em que os assisiti: http://www.youtube.com/watch?v=JzjOUv5NHVk

O site do grupo é o http://www.sonsdasuevia.com/inicio.html. Lá há outros vídeos deles tocando. Espero que gostem!