terça-feira, 15 de abril de 2008

A ironia

Cada vez que viajo, chego mais à conclusão de que o senso de humor é algo particular de cada cultura. É claro que na maior parte das vezes conseguimos rir das mesmas coisas, mas sempre há diferenças sutis, que às vezes causam situações engraçadas.
Como a maior parte dos brasileiros, costumo ser irônica com certa frequência. Mas por aqui (assim como em outros lugares), eu nem sempre sou compreendida como gostaria.
Costumo ir ao supermercado de bicicleta. Na semana passada, quando eu procurava um lugar para prender minha bike, um rapaz, que aparentava ser segurança do estabelecimento, mostrou-me onde eu poderia “estacioná-la” e disse: “Mas tens que prendê-la, pois podem roubá-la”. Para mim, era óbvio que eu colocaria o cadeado. Por isso resolvi brincar com o moço e respondi: “Não vou prender não. Confio em você, sei que vai vigiá-la pra mim!” Ele, além de não entender que tratava-se de uma brincadeira, ainda demonstrou-se preocupado, dizendo que não poderia vigiar minha bicicleta porque tinha “muito o que fazer e não poderia ficar o tempo todo à beira dela”. É claro que fiquei surpresa com a reposta dele e, em vez de explicar logo que eu estava brincando, resolvi insistir com o “gracejo”, dizendo que era para ele vigiar sim, afinal ele era o segurança ! Mas no final prederi deixar claro que estava apenas sendo irônica, para não correr o risco de ele ainda estar lá quando eu voltasse com as compras.
Outro “causo": na natação, o instrutor estava me explicando a forma correta de fazer a braçada no nado de costas e eu estava achando meio complicado, por isso resolvi brincar com ele e disse-lhe: “Não tô gostando desse nado que você inventou não! Trate de inventar outro pois esse não quero mais fazer!” Ele simplesmente começou a me explicar que não foi ele quem inventou as braçadas, que as técnicas que ele me ensinava eram universais e que eu deveria reclamar com quem inventou a natação! Mais uma vez tive que deixar claro que era só uma brincadeira e que eu sabia bem que ele não era o inventor daquela forma de nadar.
O pior é que, depois de um certo tempo aqui, a gente acaba adquirindo o hábito de sempre “explicar a piada”. Aí quando recebemos a visita de amigos brasileiros, nós é que viramos motivo de boas risadas!

1 comentário:

Anónimo disse...

Nossa, que bom poder me deliciar com seus "escritos" novamente...
Beijo, Lili