segunda-feira, 26 de maio de 2008

Os tais dos telemóveis

O que chamamos de “celular” no Brasil, aqui é conhecido como “telemóvel”. Os tais dos telemóveis já estão completamente entranhados na cultura dos portugueses, sobretudo dos mais jovens, como já era de se esperar. Mas o que mais me chamou a atenção aqui não foi o fato de utilizarem o telemóvel com muita frequência ou estarem sempre com ele ao pé do ouvido. Na verdade, o telemóvel nem é usado exageradamente para fazer e receber chamadas, mas sim para mandar e receber sms (mensagens de texto).
Os portugueses adquiriram o “vício” da troca de mensagens ininterruptas ao longo do dia (e da noite). Onde quer que estejam, os jovens estão a escrever para amigos, namorados/as, familiares, etc. Seja pelas ruas, na parada de autocarro (lê-se: ponto de ônibus), sentados num café, no meio de uma aula, dentro do trem… Enfim, troca-se mensagens de qualquer lugar, a qualquer momento: até mesmo dentro do cinema assistindo a um filme!
Pergunto-me de onde surgiu esse hábito, se a “culpa” é dos usuários ou das operadores de telefone. Digo isso porque um dos grandes incentivos para essa troca de mensagens é o fato de as operadoras estarem sempre oferecendo promoções de envios gratuitos de sms para telemóveis da mesma operadora. Uma delas oferece o envio (quase) ilimitado de mensagens: são 1500 sms gratuitos por semana! A primeira vez que vi essa promoção, logo pensei: por que não dizem simplesmente que os sms são ilimitados, já que duvido que alguém consiga mandar mais de 1500 sms em uma única semana. Pois acreditem: há quem consiga tal feitio e até ultrapasse esse limite! Começo a concordar que faz sentido definirem um limite, nem que seja o de poder enviar uma mensagem a cada 6,7 minutos! (no caso dos 1500/semana)
Outra peculiaridade nesse costume é o fato de que os portugueses já estão tão hábeis em tal prática, que conseguem escrever as mensagens sem nem olhar para o visor do aparelho. Eles fazem isso enquanto estão conversando com você, assistindo televisão, prestando atenção no professor, etc. Muitas vezes sem nem desviarem o olhar e numa rapidez impressionante. Às vezes mal acabo de enviar uma mensagem e segundos depois já recebo a resposta.
O mais engraçado é que a troca de mensagens não é uma simples troca de recados. Longas conversas se dão através dos sms e até questões importantes são tratadas. Outra curiosidade é que os sms também substituíram os bilhetinhos nas salas de aula: ao invés de papel e caneta, o que os estudantes usam agora são os telemóveis. E mesmo fora da sala de aula, até quando estão fisicamente muito perto da outra pessoa, é comum mandar-lhe mensagens ao invés de deslocar-se para dizer o que precisa. Recebo corriqueiramente sms das meninas que moram comigo, em momentos em que estamos todas em casa, dizendo coisas do tipo: “Queres um chá?” ou “Vais almoçar a que horas?”. Apesar de nossos quartos estarem a alguns passos de distância, tenho que admitir que às vezes também recorro aos sms para responder-lhes.

3 comentários:

António Rosa disse...

Adorei ler este post. Muito bem observado.

mãos disse...

Olha este vicio tende a aumentar…não imagino o dia em que as sms forem grátis para todas as redes, Optimus, TMN, Vodafone….ai já não há ligação, a comunicação será na base de sms…

Raquel disse...

Aqui está uma grande verdade... Não é que eu ate conduzir mando sms e nem olho o ecran.Sei que não é correcto, mas...